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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Yes or No



Nada mais justo e compreensível que hoje, no dia dos namorados, minha postagem seja sobre um drama tailandês a que recentemente assisti. Ele pode ser encontrado no site Dopeka, que inclusive é o meu favorito para doramas em geral. O enredo é aparentemente muito simples: Pie é uma garota linda e muito simpática que se muda para um outro quarto no dormitório da faculdade e então conhece sua nova companheira. Pie adora peixes, é muito responsável e madura e faz sucesso com os rapazes, mas aparentemente está sozinha. 
Kim é a garota com quem tem que dividir o quarto, e por quem tem antipatia à primeira vista. Kim é uma garota nada feminina: cabelo curtinho, roupas e um jeito normalmente característicos dos rapazes. Eu devo admitir: Kim é simplesmente linda, e se parece muito com um garoto! Tanto que é confundida com um por Pie quando as duas se conhecem. Kim adora plantas e tem bastante talento para lidar com a terra. Apesar de ter esse jeito tão masculino, é uma garota extremamente meiga e muito inocente. Morre de medo de escuro, gosta de tocar violão e cantar quando tudo está em silêncio, é prestativa e tímida.
As duas de início não se dão muito bem. Kim tenta se aproximar de Pie, que se mostra relutante em aceitá-la como sua amiga. Pie estivera muito animada e ansiosa para conhecer a nova colega de quarto, mas muda de ideia quando percebe que Kim não é uma garota que se encaixe nos padrões sociais. 

Pie, quase uma bonequinha!

Pie se mostra bastante preconceituosa a princípio, chamando Kim de "sapatão" e ainda afirmando que "simplesmente não gosta de sapatões". Chega a dar pena de Kim! O fato é que apesar de Pie ser uma menina madura e inteligente, segue firmemente alguns valores que já estão enraizados em nossa cultura e que, sinceramente, são vergonhosos. Ela está acostumada àquela visão fechada do mundo, mas não inteiramente, já que todos os seus melhores amigos parecem ter opções sexuais diferentes do que é considerado "comum" por mentes preconceituosas. Acredito que Pie era uma daquelas pessoas que diz aceitar muito bem a homossexualidade, mas quando ela não tem absolutamente nada a ver com suas vidas nem as afetam diretamente. Chego até a pensar que desde o primeiro encontro Pie sentiu atração por Kim, ou não tentaria afastá-la com tanta firmeza, e inutilmente. 
Kim é extremamente inocente, mas ao mesmo tempo com uma mente mais reflexiva do que a de todos os outros personagens. Em diversos momentos do drama ela se pergunta o que é uma "sapatão", o que faz uma pessoa ser vista assim e o que esse rótulo significa. Ela se veste daquela maneira porque simplesmente é como ela é e gosta de ser, e não para se parecer com um homem ou categorizar a si mesma. Quando Pie a explica que as "sapatões" gostam de outras garotas, Kim fica ainda mais confusa porque nunca tinha gostado de nenhuma garota antes. Nem de um garoto também. 

Kim e seu olhar sedutor... Impossível resistir!

As duas logo ficam amigas, como se houvesse algo que as atraísse cada vez que tentavam se afastar. Quase como se a força da gravidade as puxasse mesmo contra a sua vontade, tornando-se algo totalmente natural. Por mais que Pie relutasse, Kim já era parte de sua vida. A amizade entre elas surgiu tão naturalmente quanto o desabrochar de uma flor, e é difícil dizer que isso não foi obra do destino. Era como se elas estivessem destinadas a se aproximar. As duas se dão muito bem e são exatamente o que cada uma precisa. São opostas, e justamente por isso se completam. Quando se trata de amor, nós naturalmente procuramos no outro aquelas qualidades que não estão presentes em nós mesmos. É uma das únicas maneiras de nos sentirmos inteiros. 
É muito mais que adorável a maneira com que o romance entre as duas se desenvolve, tão natural e lentamente como a amizade. Não é nada forçado, avassalador, dramático. É simples, sensível, frágil por fora e forte por dentro. Entre a amizade e o amor há apenas uma linha fininha e invisível. Atravessá-la é mais fácil que se imagina. 

 Indiscutível como as duas ficam bem juntas!

Yes or No não só conta a bela história de amor entre as meninas, como também trata de assuntos importantes como o preconceito e as restrições no amor. E no final das contas nos mostra que podemos amar quem quisermos, sendo ou não algo considerado certo ou comum aos olhos da sociedade. Se aquilo te faz bem, realmente não importa se é um homem, uma mulher, um travesti... Amor não se limita apenas ao sexo oposto. Amor é uma mistura de atração física e admiração (pela pessoa, pelo seu intelecto, por sua alma). Além de qualquer coisa, o amor se fortalece pelo sentimento que aquela pessoa nos proporciona. Cada pessoa se agarra ao sentimento que julga ser essencial para sua vida, e que só aquele outro pode lhe dar. 

Se todo mundo se permitisse ousar e amar um pouco mais...

O drama tem continuação (que ainda não vi, mas pretendo) e vale muito a pena assistir! É mais sensível e emocionante que muitos filmes com mega produções, atores famosos e histórias apelativas e recheadas de drama que costumam fazer sucesso por aqui.
E mais importante que tudo, me faz refletir sobre algumas questões que são aparentemente tão simples, mas sempre levadas ao extremo pelas outras pessoas. Amar alguém jamais pode ser considerado uma vergonha. E por que colocar em nossas cabeças que só temos uma escolha a fazer? Que sair dos padrões é errado? Parece bastante simples para mim, Kim, Pie e outras pessoas no mundo (ficcionais ou não): nós não amamos garotos, nós não amamos garotas... Nós amamos pessoas

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