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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Éramos nós

Éramos nós é uma história escrita por (adivinha quem?) mim, que por sinal também não está finalizada, mas não é tão antiga assim quanto a outra que comentei aqui (Você). A verdade é que eu sou terrível com títulos (dá pra perceber) e tenho a mania de colocá-los em inglês, coisa que estou tentando diminuir aos poucos. O fato é que a maior parte dos títulos interessantes em inglês ficam uma verdadeira porcaria em português. Por isso é necessário muito mais esforço para encontrar algo no mínimo decente, e é por isso também que mudo títulos mais do que mudo de roupa.
De qualquer forma, o título desse romance foi tirado de um antigo poema meu que logo foi incorporado à história também. Éramos nós conta a história de Beatrice, uma menina de dezessete anos que retorna à cidade onde nasceu e cresceu, sendo acolhida por uma amiga de infância e sua mãe divorciada. Beatrice parece ter ido até lá para fugir do seu passado, mas ali todos os lugares trazem uma lembrança diferente e dolorosa. Sua irmã gêmea, Rebecca, falecera no ano anterior num acidente de carro na ponte daquela mesma cidade, mas esse não é o único fantasma que a assombra. Bia, como é chamada por todos, é uma menina que cresceu à sombra dos outros: deixada de lado pelos pais, sempre comparada à irmã, que era melhor que ela em tudo, sem amigos ou sonhos. As coisas se tornam ainda mais difíceis de encarar quando ela descobre que o antigo namorado da irmã, Bernard, também está vivendo ali e que terá que encontrá-lo todos os dias. Bernard é um garoto egoísta e seu antigo amor platônico, mas que assim como Bia, não consegue esquecer Rebecca. Com um amor florescendo entre os dois, Bernard conseguirá ver Bia como algo além da representação de Becca, aquela que ele realmente amava? E Bia conseguirá finalmente se livrar de toda a dor em sua vida e trilhar sem próprio caminho? 
Resumindo tudo, é uma história recheada de drama (e não tanto romance assim) em que os personagens tem constantes conflitos, tanto internos quanto externos. Bia é uma garota sombra: sem graça, sem personalidade, medíocre. Ela sempre foi o meio termo: não tão bonita, não tão inteligente, não tão divertida. Com o passar dos anos aquilo foi a afetando ainda mais, porque as comparações com a irmã eram constantes e porque por mais que ela se esforçasse para agradar aos outros, nunca era o suficiente. E então ela chega a um ponto que perde qualquer luz própria que um dia já tenha possuído, odiando a si mesma e sequer sabendo do que realmente gosta, ou o que realmente quer. Bia pode parecer bastante invejosa à primeira vista, e não deixa de ser. No passado, tentava imitar Becca de todas as maneiras e se parecer mais com ela. Queria tudo que a irmã tinha e é por isso que se apaixona por Bernard, mesmo sabendo que ele jamais a escolheria. Que ele era da irmã.
Apesar de se pareceram tanto fisicamente, Bia e Becca são absolutamente opostas. Sempre grudadas na infância, os conflitos começaram a surgir no decorrer da adolescência e cada uma seguiu seu caminho. As duas passaram de amor à ódio, o que não é muito difícil de acontecer. Bia era a garotinha certinha, sem personalidade e reprimida, que jamais recebia qualquer reconhecimento. Já Becca crescera com todos os méritos: a mais bonita, a com personalidade forte, a mais inteligente, a menina cheia de talento. No entanto, acaba se revelando com o passar dos anos: torna-se uma garota rebelde, toma caminhos e decisões erradas e tem uma péssima fama. Ainda assim era melhor que Bia.
E por fim, Bernard... Ah, Bernard... Menino complicado! À primeira vista ele não passa de um mauricinho mau humorado, metido a alternativo e muito egoísta. Ele era o namorado de Becca, mas os dois tinham um relacionamento um tanto quanto conturbado. Assim como todos os outros relacionados a ele, que é cheio de problemas familiares, tem amigos nada confiáveis e parece odiar tudo e todos ao seu redor. Ele é extremamente sincero, tanto que sua sinceridade vive machucando e deixando rastros por onde passa. Exigente, egocêntrico, sádico... Ele tem uma infinidade de defeitos. Quando conhece Bia, acredita que ela é o fantasma de Rebecca. A verdade é que ele não sabia que Becca tinha uma irmã, muito menos gêmea, e ele não só tem que lidar com o choque, como conviver com a menina tão diferente da outra. Seu maior problema é que, apesar de tudo, Rebecca foi seu grande amor e não consegue olhar para Bia sem vê-la.
Enfim, eu já falei demais! Aqui vai alguns trechos dessa conturbada, mas adorável história de amor e dor: 


“Essa história é sobre uma garota triste, prestes a se jogar num abismo sem fim de depressão, que tentava encontrar a si mesma. Sobre a relação entre irmãs gêmeas que se amavam e se odiavam ao mesmo tempo. É sobre as marcas inesquecíveis que a morte nos deixa, mesmo com o passar do tempo. É sobre a morte em vida. E é principalmente sobre como um amor pode florescer de um lugar inesperado, cheio de tristeza e dor. É a história sobre uma garota que vivia à sombra da irmã e que sofria por um amor não correspondido. É sobre um garoto que tinha tudo, mas que não podia substituir seu grande amor por ninguém nesse mundo. Essa história é sobre mim. É sobre você. É sobre nós.“


- Bem, ela é... É provavelmente a garota mais sem graça do mundo inteiro. Ela é linda, mas não se destaca. Ela é um pouco inteligente, um pouco bonita, um pouco atlética... Mas nunca é o suficiente. Ela vive na mediocridade. Ela é nunca é demais, ou de menos... É sempre o meio termo. As únicas duas coisas que ela é capaz de sentir são ódio e apatia. Ela odeia a si mesma. Odeia todos a sua volta. Odeia seu passado. Odeia a mim. Às vezes ela não parece realmente estar viva. Só se assemelha a um ser humano quando está chorando, e, caramba, ela chora o tempo inteiro. 
- Ele é a pior pessoa que eu já conheci. Aparentemente não tem nada demais: é lindo, conquistador, superficial... Mas podre por dentro. Tudo o que ele fala é vulgar e sujo. Ele não se importa com ninguém além de si mesmo. Sua sinceridade é tão grande que machuca as pessoas. As únicas duas coisas que ele é capaz de sentir são ódio e apatia. Ele tenta não chorar nunca, mas chora tanto quanto eu. Até seu jeito de chorar é agressivo. Ele acha que é melhor que todo mundo. Às vezes eu acho que ele não tem um coração.
- Eu a amo.
- Nós nos amamos por tudo que nos odiamos.

 

Eu acredito que o que nos une não é o amor, nem jamais irá ser. Nós somos iguais. Nós estamos no fundo do poço e imploramos por um salvador. Jamais poderemos salvar um ao outro, quando somos incapazes de salvar a nós mesmos. Fomos apresentados pela infelicidade e crescemos a partir do ódio. O que nos une, meu querido... É a dor.




- Eu tenho sentido vontade de morrer desde que nos conhecemos.
- Então... Eu lhe darei o tempo que precisar. Irei me afastar o máximo que conseguir e faremos o seguinte teste. Se encontrar a felicidade, eu o deixarei livre para sempre. Mas o que realmente quero descobrir é se sequer se sente vivo sem mim.


E por fim o que deu origem à tudo:

 
Éramos nós
Lembranças de um tempo em que nós dominamos o mundo.
As luzes da cidade não eram nada diante nosso brilho
A imensidão do céu era minúscula perto de cada um de nossos sonhos.
Nós descobrimos novos mundos
Destruímos monstros e ultrapassamos muralhas
Caímos tantas vezes, mas caímos juntos.
Depois, fizemos tudo de novo
E de novo
E de novo.
Lembranças de um tempo em que nossas esperanças eram maiores que nossos medos
Nossos sorrisos; que as lágrimas.
As batidas de nossos corações eram o suficiente pra nos fazer querer seguir em frente
Sempre em frente
E nossas promessas eram do tamanho do mundo inteiro.
Lembranças de um tempo em que tudo ao nosso redor se dissipava
Que a única coisa que valia a pena
Que nos fazia seguir em frente
Que fazia sentido
Que iria ser para sempre
Éramos nós.

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