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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Forrest Gump


Forrest Gump é um filme de 1994 e conta a história de um homem com o mesmo nome, meio maluco que sai conversando com qualquer um que encontra no ponto de ônibus e contando sua própria vida para os estranhos. À primeira vista o filme não tem nada de especial, mas não é atoa que qualquer pessoa que já o tenha assistido faça uma propaganda muito boa dele. Assim como o show de Truman contém algumas partes engraçadas, não tão sérias, mas outras tão profundas que nos deixam pensando sobre aquilo por dias. Um filme genial. 

A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar...

Forrest Gump era um garoto doente, que vivia com aparelhos nas pernas e não podia andar muito bem, e que tinha um cérebro que funcionava muito mais lentamente que o das outras pessoas. Ele era, sim, inteligente, mas demorava a assimilar algumas coisas e levava tudo ao pé da letra. Vivendo sozinho com a mãe, ele não tinha outra companhia que não fosse ela. Juntando todos esses fatores à sua aparência Geek, Forrest sofria de constantes humilhações, era perseguido pelos garotos do colégio e não tinha nenhum amigo. É então que ele conhece Jenny, uma garotinha loira e gentil, que passa a ser sua única e melhor amiga.

Você tem que fazer o melhor com o que Deus te deu.

Forrest é chamada de idiota a vida inteira, o que deve ter sido um tanto quanto frustrante. Em algumas partes do filme ele pensa e age de maneira tão absurda que pensamos "ele é mesmo um idiota!". Mas provavelmente um idiota que nasceu com o rabo virado para a lua. De inválido a um dos melhores corredores já vistos, depois jogador de futebol americano, militar e salvador de várias vidas, profissional em ping pong e celebridade, dono de um barco e comerciante de camarões, milionário e cortador de grama... A vida de Forrest passou por todos os rumos possíveis, o que é bastante cômico. 

Jenny em sua época hipponga e Forrest militar.

As mesmas mudanças drásticas acontecem com o grande e eterno amor de sua vida, Jenny. Era só uma garotinha assustada na infância, que perdeu a mãe e teve que lidar com um pai violento. Depois passou a viver com a avó num trailer, entrou numa faculdade só para garotas, foi expulsa da faculdade e começou a cantar num clube noturno, depois virou hippie, depois festeira... Essa mulher já foi de tudo e pulou de estilos completamente diferentes com muita facilidade. E assim como Forrest passava de uma coisa a outra sem deixar de ser chamado de idiota e sendo muito sortudo, também haviam duas coisas que não abandonavam a coitada: apanhar de homens e usar drogas. Jenny é uma das personagens mais intensas do filme. Essa espécie de carma a seguiu a vida inteira e posso imaginar como deve ser doloroso pensar ter encontrado um cara certo e apanhar dele, assim como apanhava do próprio pai na infância. Era como se não pudesse confiar em nenhum homem. E também entendo as mudanças constantes e drásticas em seu estilo: uma pessoa que ainda não sabe do que gosta deve experimentar de tudo. Jenny sempre foi perdida, sem rumo e sem saber quem realmente era, e se sentia deslocada em qualquer lugar que fosse. Sentia-se como se não pertencesse a lugar algum, e provavelmente é aí que as drogas entram; para fugir da realidade e fugir de si mesma. Jenny até mesmo tenta se matar, mas não consegue. Algo dentro dela a dizia que ainda encontraria um lugar onde pertencesse e pudesse se sentir em casa, mesmo que não passasse de uma ilusão. 

"Querido Deus, me transforme num pássaro para que eu possa voar para muito longe daqui", disse Jenny num determinado ponto do filme. 

Outra aspecto do filme que gosto bastante é a relação de Forrest com seus amigos. Primeiro o companheiro de guerra que só sabia falar de camarão, um verdadeiro papo ruim. Ainda assim, o único amigo de Forrest naquele período tão conturbado e a quem prometeu iniciar juntos um negócio na indústria do camarão. E o tenente Dan, que fica ainda mais maravilhoso quando deixa o cabelo e a barba crescer (risos). O tenente é outro personagem bastante intenso e cheio de conflitos como Jenny. Ele acredita que a morte era seu destino na guerra e ser tirado desse destino lhe parecia algo absurdo. A dor que sentiu deve ter sido esmagadora: perder seu cargo, sua independência e sua saúde, passando a ser visto como "monstro" e "inválido". Vivia em festas tentando encontrar distração em vícios, mas nenhuma droga ou prazer temporário é capaz de preencher o vazio de uma alma. Ao mesmo tempo que odiava Forrest por tê-lo salvado e condenado a uma vida de sofrimento, passa a enxergá-lo como um grande amigo. Num determinado ponto briga com Deus, com quem não havia estado bem desde a tragédia na guerra, e depois as palavras do próprio Gump se encaixam perfeitamente: ele nunca havia dito aquilo claramente, mas depois daquele dia havia feito as pazes com Deus. 


O amor de Forrest por Jenny era um tanto quanto platônico. Ele até mesmo deu o nome dela a um barco! Ela sempre o viu como um irmão que precisava de proteção e rumo e por isso todo o conselho que o dava era, em qualquer situação de perigo, simplesmente correr. Foi tudo o que Forrest fez, e foi assim que alcançou o sucesso. Forrest estava sempre lá por ela, mas Jenny nunca o enxergava. Sempre a protegia, mas ela não sabia demonstrar gratidão. Sinceramente, Jenny sempre foi uma despirocada que fazia o que dava na telha e acredito que, à sua maneira, ela se sentia grata a ele e o amava de alguma forma. O fato é que ela não acreditava que valia qualquer esforço ou amor vindo dele. E é aquela velha história de que quem não ama a si mesmo não é capaz de amar mais ninguém. Ele nunca exigiu absolutamente nada dela e simplesmente vê-la sorrir o deixava em paz. Esse é tipo mais genuíno de amor que pode existir. 
O que acho interessante é que, quando questionado por que e para onde corria tanto, Forrest não tinha uma resposta concreta. Ele não se preocupava muito com o destino; apenas corria. E às vezes, em nossa própria vida, é tudo o que temos que fazer. Correr e deixar que nossas pernas nos guiem para lugares inimagináveis, sem muitas expectativas e sempre em movimento. O movimento é o que faz a vida. 
Para finalizar, algumas frases muito marcantes do filme:

A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar...

A minha mãe sempre disse que você tem que colocar o passado para trás antes que possa seguir em frente.

“Eu não sei se mamãe está certa, ou se o Tenente Dan é que está. Não sei se cada um tem um destino ou se só flutuamos sem rumo, como numa brisa... Mas acho que talvez sejam ambas as coisas. Talvez as duas coisas aconteçam ao mesmo tempo.”

"É engraçado o que um jovem consegue se lembrar. Porque eu não me lembro de quando eu nasci. Nem do que ganhei no meu primeiro natal. Nem de quando fui no meu primeiro piquenique mas,me lembro da primeira vez que ouvi a voz mais doce do mundo; nunca tinha visto nada mais belo em toda minha vida. Ela parecia um anjo."



"Eu não sei se cada um de nós tem um destino,
ou se nós estamos todos voando acidentalmente por aí como uma brisa,
mas eu, eu penso que talvez sejam os dois.
Talvez os dois estejam acontecendo ao mesmo tempo.
Eu sinto sua falta, Jenny. E se houver qualquer coisa que você precise,
eu não estarei longe de você."

"Eu posso não ser muito esperto, mas eu sei o que é o amor!"

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