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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre a chegada de alguém especial

Eu sempre tive medo de que alguém muito especial entrasse em minha vida. Porque, até então, tudo ao meu redor era preto e branco. Eu amava, sim, as pessoas que me cercavam. Mas não dependia delas. Eu era uma pessoa solitária e sozinha. Uma pessoa triste e completamente privada de amor. Tinha medo de que alguém chegasse em minha vida, e pela primeira vez, fosse capaz de me arrancar suspiros. De fazer a diferença. De despertar meu interesse, minha insônia, minhas borboletas no estômago. Tinha medo de que olhasse para essa pessoa e soubesse que ela era a certa. Minha alma gêmea, ou pelo menos a pessoa que eu gostaria que fosse. Eu tinha medo porque sabia que esse alguém viraria minha vida de cabeça para baixo. Sabia que eu me tornaria completamente dependente de seus sorrisos, seus carinhos, seus olhos intensos. Até mesmo seu jeito de respirar. E quando essa pessoa finalmente se cansasse de mim, eu já teria me esquecido de como viver sem ela. E então a vida se tornaria ainda mais dolorosa que a solitária que eu costumava viver. Porque eu queria um “para sempre”, e ela queria simplesmente vivenciar tudo o que o mundo poderia lhe oferecer. Meu medo nunca se tornou realidade. Ninguém foi capaz de me atingir, levar-me ao céu ou ao inferno. Agora eu penso: até que poderia ser uma experiência interessante. Às vezes os extremos satisfazem mais. Não faz mais sentido uma vida coberta de alegria, ou uma banhada pela tragédia? Muito melhor que uma medíocre, onde nada está bom, mas nada também está ruim. Onde tudo é preto e branco. Onde você está condenado à terra, firme e forte, e qualquer menção a céu e inferno não passa de devaneio. Agora, meu maior medo é nunca sair do lugar.

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