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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Love & Order



Love & Order é mais um maravilhoso jogo da Winter Wolves, e um dos antigos (assim como Always Remember Me). Certamente não tem tanta popularidade quanto o outro, já comentado por mim aqui, mas não deixa a desejar em nada pelo que se propõe a fazer. Acredito que sua popularidade (não tão grande) seja devido ao fato de o jogo ser curto (em pouco tempo é possível desbloquear todos os finais) e, provavelmente, pela temática, que envolve mistério e gira em torno do mundo da lei (como o próprio nome já sugere). Assim como todos os jogos da Winter Wolves está disponível apenas em inglês, vale lembrar.
A história é basicamente a seguinte: Dana Larose é uma jovem que acaba de se formar e arruma um emprego de secretária no escritório de Attorney, aquele que dá a palavra final em tudo ali. Seus companheiros de trabalho e quem ela deve ajudar são Ross, Jonathan, Pierre e Dorothy.
Jonathan é um rapaz lindo, e Dana (como a maior parte das mulheres) se sente atraída por ele, mas sabe separar os negócios da vida amorosa. No entanto, Jonathan não pode dizer o mesmo. Ele é um conquistador nato, sempre com palavras bonitas na ponta da língua e flertando na primeira ocasião que encontra. Ele está no terceiro ano da faculdade de direito e se sente sortudo por estar ali. Mas não é difícil de perceber que ele não passa de um mauricinho, certo? Se o escolher para ser seu par, aos poucos é possível ver que Jonathan não é tão superficial como parece e que pode realmente ser muito carinhoso e gentil. 

Dana, muito bonitinha!

Ross é praticamente o chefe de Dana, uma vez que ele cuida de tudo o que acontece no escritório. É um homem muito sério e responsável, e inicialmente não parece ser fácil de se aproximar. Assim como todos os outros, possui um lado que ninguém conhece e que cabe a Dana desvendar. Ross é a figura perfeita de um homem de escritório, e de um fetiche que muitas garotas particularmente têm: loiro, olhos claros, bonito, sério e às vezes até mesmo nos passa a impressão de frieza. 
Dorothy é uma moça encantadora, madura e elegante. Ela lida com muitos assuntos importantes no escritório, mesmo que quem tome frente ali seja Ross. É uma mulher inteligente, simpática e séria no seu trabalho. Acredito que conviver com uma mulher igual a ela não seja fácil; não por sua personalidade e maneiras, mas porque ela provavelmente faria qualquer mulher se sentir uma garotinha burra, feia e sem graça. Do contrário, não é muito difícil se apaixonar por ela: não só por sua beleza, seu modo de vestir e o charme da sua maneira de falar, mas pela doçura que ela representa. 
Por fim, Pierre, que é o meu favorito. Tudo bem, inicialmente ele me chamou atenção só pela aparência, devo admitir. Mas depois que vamos o conhecendo melhor, é inevitável pensar que a escolha foi muito bem feita. Pierre é competente como todos os seus colegas, mas não tem aquela auréa de seriedade ao seu redor. Muito pelo contrário, é um homem bastante tranquilo e educado, daqueles que fazem com que a gente se sinta mais confortável simplesmente estando em sua presença. Sua personalidade é um verdadeiro amor! E se nada disso fosse o bastante, ele tem cabelos grandes e toca guitarra. Quer mais charme do que isso?

Pierre conquistando o meu coração.

Enfim, o jogo se divide nas tarefas que Dana tem que realizar no escritório como secretária, no mistério que conduz a história e no romance que pode desenvolver com um de seus colegas de trabalho. O mistério é um trabalho esquecido e arquivado que chama atenção de Dana e ela decide investigá-lo, descobrindo uma grande falcatrua ao final. Se desenvolver bem o mistério, a justiça prevalece. Caso contrário, uma pisada na bola é o suficiente para o caso não ser solucionado (e você se dará bem apenas no romance, talvez).

terça-feira, 24 de junho de 2014

Smallville


Smallville é provavelmente a minha série preferida, e certamente aquela que mais me marcou. Comecei a assisti-la anos atrás, quando ainda não passava de uma criança, com meu irmão. Pegávamos episódios soltos na tv aberta, não entendíamos quase nada (porque não assistíamos em sequência), mas ficávamos deslumbrados a cada novo acontecimento. Depois de algum tempo, já mais crescidos e experientes, decidimos assistir tudo de novo. E o fizemos, acompanhando a série enquanto novas temporadas eram lançadas e nos víamos cada vez mais envolvidos. Foi triste quando a última temporada (e décima) foi anunciada e a série chegou ao fim, assim como os longos anos de nossa infância e adolescência. Crescemos junto com a série e os personagens. Quem conhece Tom Welling atualmente ou tenha o visto da oitava temporada para cima, fica completamente chocado ao vê-lo no primeiro episódio da primeira temporada da série, magrinho, cara de criança e praticamente um adolescente. Com os outros personagens acontece o mesmo; estamos tão acostumados a acompanhar a série que tomamos as mudanças dos personagens e dos atores naturais assim como as nossas, mas quando olhamos uma foto antiga, a surpresa é imensa.

Tom Welling como Clark Kent 

É um tanto quanto surpreendente que essa série tenha me prendido tanto. Eu gosto de super heróis e do mundo dos quadrinhos, mas não tenho muita intimidade com eles (o que me faz conhecer apenas o básico do básico). Super Man tampouco é meu herói favorito. Mas essa série dá um novo sentido a qualquer coisa que eu pensava saber sobre esse universo em particular. Conta a história completa do herói tão conhecido de forma mais humana, bela e envolvente. Quem não se apaixonaria por um rapaz tão gentil e com um coração tão bom quanto Clark Kent? Nós acompanhamos toda a sua trajetória e torcemos por ele, para que se descubra num mundo que não é seu, para que tenha sempre a cabeça no lugar e faça o que é certo, para que tenha sucesso em sua vida amorosa. No início da série os episódios eram mais voltados a pessoas que haviam sido atingidas pela chuva de meteoros e que adquiriram habilidades sobrenaturais que utilizavam para o mal. Clark, como um herói em assenção, tinha o dever de pará-los e resolver tudo ao final de cada episódio. Com o avanço da série os acontecimentos foram tomando outros rumos e se dirigindo mais ao crescimento do herói, como os relacionamentos amorosos, as amizades, as relações familiares. Tudo isso sem cair na mesmice. Nas últimas temporadas é que Clark começa a se aproximar do herói tão conhecido, que é jornalista e usa óculos fundo de garrafa, apaixonado por Lois Lane e que usa uma capa vermelha. Inclusive não tivemos essa visão de Clark com a roupa conhecida do Super Man em nenhum momento da série, mas uma menção no final do último episódio da última temporada.

Lois e Clark

Alguns pontos da série que merecem uma atenção especial são a relação entre Clark e Lex Luthor (o maior inimigo do Super Man), que inicialmente eram grandes amigos. A série mostra o lado mais humano de Lex e nos faz até mesmo torcer por ele. Ele é um apenas um menino mimado e solitário que foi criado de forma desumana pelo pai, Lionel, e acabou desenvolvendo sentimentos e uma mente conturbados. A única pessoa que parece se importar com ele verdadeiramente, e não querendo se aproveitar de seu dinheiro, é Clark. Mas eventualmente ele perde a cabeça e acaba usando métodos duvidosos para alcançar o que deseja. Foi assim que ele aprendeu a vida toda. Mesmo com tantos erros e manipulações, é possível ver o quanto Lex é sensível e humano e o quanto se esforça para tomar o lado certo. Também o quanto a amizade de Clark era importante para ele, por mais que no futuro tenham se tornado inimigos tão grandes.

Clark e Lana, novinhos e muito diferentes!

Há também a melhor amiga de Clark, Chloe, que sempre foi apaixonada por ele, mas vítima de ironias do destino. Sempre havia algo para atrapalhá-los. Ela nunca teve coragem de se declarar a ele (não quando ele estivesse consciente) e estava sempre ficando de lado por causa do grande amor de Clark, Lana. Imagino o quanto essa situação deve ser excruciante: estar apaixonada pelo melhor amigo e não ter coragem de dizer nada e ainda saber que ele ama outra mulher (de quem fala o tempo todo e com quem você ainda o ajuda a ficar, porque preza pela felicidade dele). Chloe é uma menina adorável e torci para ela o tempo inteiro, mesmo que soubesse que não fosse dar em nada. Ela estava longe de ser a mocinha, e talvez seja por isso que me parecia tão certo que os dois ficassem juntos. Na vida real, não é aquela pessoa perfeita com quem acabamos ficando. Muitas vezes aquela que está ali, escondidinha e não tem nada demais, é a pessoa certa para nós.

Chloe e Clark

E isso puxa o último aspecto que irei abordar, que é o amor de Clark por Lana. De início me parece muito platônico. Ela era a garota mais bonita e popular da escola, e ele um ninguém. É normal que os rapazes se apaixonem por esse tipo de garota, principalmente na adolescência. Nós nunca esquecemos o primeiro amor, e é por isso que Lana é tão importante em toda a trajetória de Clark. Com o passar do tempo essa paixão platônica cresceu e tomou forma. Clark esteve sempre a amando em silêncio, observando-a com seu telescópio e sonhando com o dia em que estariam juntos. Esse dia chegou (mais de uma vez) e tudo parecia estar perfeito, mas também sempre havia algo para separá-los. Um dos fins mais definitivos foi o casamento de Lana com Lex (o que teria acabado com as esperanças de qualquer um). Há também um episódio em que Clark percebe que nunca poderia ficar ao lado dela, pois ela não só seria infeliz como também afetada pelos inúmeros problemas que ele carregava com si. Mesmo depois de muito tempo e já com Lois em cena, não acredito que ele tenha sido capaz de esquecê-la. Lois poderia ser seu atual amor, ou mesmo o amor de sua vida. Mas o primeiro amor sempre seria Lana. O fato é que ele superou, mas nós, fãs, não superamos. Acredito que muitas pessoas, assim como eu, tenham torcido para que ela reaparecesse na série e tomasse o coração de Clark. Que os produtores mudassam o rumo da história e fizesse com que a mulher do Super Man fosse Lana, não Lois. Mas nada aconteceu e tudo o que podemos fazer é assistir novamente a todas as cenas que os dois estão juntos e pensar que Clark e Lana serão sempre nosso casal peferido. 

Clark e Lana

Uma das minhas cenas preferidas de toda a série é a declaração de Chloe a Clark, quando eles se encontram sozinhos e ele desacordado. É uma cena extremamente sensível e de arrancar lágrimas.


"Eu quero te contar um segredo. Eu não sou quem você pensa que eu sou. Na verdade, estou surpresa que você ainda não tenha percebido. Eu sou a garota dos seus sonhos disfarçada como sua melhor amiga. Às vezes, eu quero tirar essa máscara como eu fiz no baile da primavera, mas eu não posso porque você ficaria assustado e correria de novo. Então eu decidi que é melhor viver com uma mentira do que expor meus verdadeiros sentimentos. Meu pai disse que existem dois tipos de garotas: Aquelas que crescem para fora e as que crescem para dentro. Eu realmente espero que eu seja a segunda. Eu posso não ser aquela que você ama hoje, mas vou deixar você ir agora, na esperança de que um dia você voe de volta pra mim porque eu acho que você é digno dessa espera."

Obs: há algumas alterações na dublagem e na tradução direta da fala em inglês de Chloe, mas a essência é a mesma.


E por fim o meu vídeo favorito do casal Clark e Lana feito por fãs com algumas das cenas mais fofas protagonizadas por eles. A música é A message do Coldplay, a minha favorita da banda. A música é calma, intensa, apaixonada, profunda e com um vocal extremamente delicado. As notas nos fazem viajar e no momento que a canção chega em seu clímax, é inevitável se sentir tocado. E para completar, a letra é igualmente impecável. É o elemento que eu mais aprecio nessa música, provavelmente por me identificar tanto com cada palavra dita. Talvez algum dia eu encontre alguém capaz de dizer coisas semelhantes, ou sentir algo assim tão forte por mim. 
E talvez algum dia eu pare de amar tanto essa série. Ou não.


Minha canção é amor
Amor para aqueles que nunca o viram
E assim se segue
Você não precisa ficar só
Seu coração pesado
É feito de pedra
E é muito difícil enxergar com clareza
Você não precisa ficar sozinha
Minha canção é amor
Minha canção é amor desconhecido
E eu estou nitidamente apaixonado por você
Você não precisa ficar só
Você não precisa ficar sozinha
E eu não vou retirar o que eu disse
Nem dizer que não era o que eu pretendia
Você é o alvo em que eu estou mirando
E eu não sou nada sozinho
Eu tenho que levar essa mensagem para casa
E eu não vou ficar aqui e esperar
Não vou deixar até que seja tarde demais
Em uma plataforma, ficarei de pé e direi
Que eu não sou nada sozinho
"E eu amo você, por favor venha para casa"
Minha canção é amor, amor desconhecido
E eu tenho que levar essa mensagem para casa

domingo, 22 de junho de 2014

Suicide Room


Todos os meus amigos têm me ouvido falar sem parar desse filme. Não é pra menos: desde que o assisti, não consigo mais tirá-lo da cabeça. O título original é Sala Samobójców e é um filme polonês, sendo chamado aqui no Brasil de O quarto do Suicídio. O filme não é muito conhecido por esses lados: não fui capaz de encontrar uma viva alma que o conhecesse, e poucas críticas na internet (que geralmente tem milhões de resultados para tudo). E é por isso que sinto quase que a obrigação de divulgá-lo a todos que conheço e mostrar esse trabalho incrível aos outros, e torcer para que eles se sintam tocados como eu. 

Dominik, um rapaz apaixonante.

Suicide Room conta a história de Dominik, um rapaz que tem tudo: é rico, bonito, mimado. Tem também um círculo de amigos e parece um rapaz normal e muito feliz. Mas esconde uma porção de coisas por detrás daquela franjinha no rosto: os pais são ausentes e egoístas, ele vive solitário, seus amigos não podem nem mesmo ser chamados de colegas e ele encara problemas com sua sexualidade. Tudo se desenvolve quando, numa festa, Dominik beija por aposta um dos seus supostos amigos e aquilo explode na internet. Ele é humilhado pelos colegas de escola e não pode contar nem mesmo com os pais. É então que se refugia no mundo virtual, num jogo online onde você cria seu personagem e interage com outras pessoas. Começa a participar de um grupo nomeado Suicide Room, onde todos são rejeitados e depressivos como ele, e se tornam sua nova família. Mas o relacionamento que tem com Sylwia ultrapassa as barreiras do virtual e os problemas de Dominik tomam dimensões ainda maiores, guiando-o a uma estrada sem volta.

Sylwia, com esse cabelo de dar inveja!

Eu simplesmente odeio cada um dos "amigos" de Dominik. São superficiais e vazios, brincam com os sentimentos dos outros como se fossem nada e sentem prazer na humilhação. Não se beija alguém para diminui-lo. Nem se brinca com a sexualidade dos outros. Muito menos provavelmente gosta de toda aquela situação, mas ataca o outro para esconder a sua própria. Quando mais precisava Dominik foi abandonado e apunhalado pelas costas. Não me admira que ele preferisse os amigos da internet, que eram sempre compreensivos e muito mais reais do que aquelas pessoas que eram feitas de carne e osso, mas sem alma. Isso particularmente mexe comigo porque já sofri por muitas situações semelhantes e sei como é se sentir traído, rejeitado e sempre intimidado por colegas de escola. A gente cresce, amadurece, supera. Mas eventualmente nosso subconsciente se manifesta e nos lembra dos nossos medos que deviam permanecer intocáveis. A pior parte do pesadelo é acordar e perceber que foi tudo real. 

Eu só vejo o pior lado de tudo...

Os pais de Dominik também merecem um tratamento especial na trama, já que são um dos principais fatores para a completa decadência do personagem. Eles são arrogantes, egoístas e preconceituosos. Preocupam-se mais com seus trabalhos do que com sua família; família essa que já está destruída, já que vivem traindo um ao outro e o filho é largado como mais uma decoração luxuosa da casa. Acreditam que é preciso dá-lo presentes materiais para satisfazê-lo, e que isso é o suficiente para que ele seja feliz. Quando descobrem que o filho é homossexual, acreditam ser brincadeira ou um capricho do menino. Mas o que mais me encanta é a evolução dos dois: mesmo com tantas falhas, tentam se redimir. Demora muito para cair a ficha, mas eles tentam consertar o erro que cometeram e mais do que tudo, mostram seus sentimentos que todo pai e mãe carregam lá no fundo: o de proteger o filho mais do que tudo. Eu acredito que pais que não se comovem com um sofrimento tão grande do filho simplesmente não tem humanidade. 
Você vive para dar aos outros o máximo que puder.

Um último aspecto que não pode ser deixado de lado é Sylwia. Mesmo aparecendo tão pouco no decorrer do filme, ela tem um papel importantíssimo no desenvolver dos acontecimentos. Sylwia é aquela salvadora de Dominik, mas ao mesmo tempo a responsável por levá-lo direto ao fundo do poço. É aquela boca que ao mesmo tempo que beija, escarra. No caso, não acho que nenhuma das atitudes dela tenha sido planejada: tudo foi obra de um infeliz destino. Sylwia apresenta à Dominik o Suicide Room e um novo mundo, onde nenhum deles é humilhado, perseguido e rejeitado. Ali eles podem ser verdadeiros e todos compartilham dos mesmos interesses. Mais um fato contraditório, agora não só sobre Sylwia, mas sobre todos os outros membros da Suicide Room: eles viviam falando sobre a morte e como a almejavam, mas sinceramente, nenhuma daquelas pessoas realmente queria morrer. Nenhum deles tinha coragem de fazer algo de fato. Prova disso é quando a mãe de Dominik os encontra e dá a notícia; todos saem da sala, um por um, fugindo do inevitável. Sylwia não era diferente: se quisesse se matar, já o teria feito. Eu acredito que uma das cenas mais fortes do filme (além da briga dos pais e Dominik finalmente saindo do quarto) é quando Sylwia percebe que perdeu Dominik e chora em agonia. Mesmo que esteja sentindo tanta dor, Dominik deixou-a um presente. A dor deixada por ele é capaz não só de acabar com a apatia dela, mas também de fazê-la se sentir viva.

Você realmente quer se matar? Como você pode desistir da coisa mais preciosa que você tem?

Dominik e Sylwia são um casal adorável, mesmo que nunca tenham ficado juntos de fato. Eles simplesmente eram para ser. E é triste que tenham se conhecido em tempos tão errados, em horas erradas, em locais errados... Talvez tudo tivesse dado certo numa outra vida. 

A realidade te machuca porque você é sensível.

Esse filme é tão significativo para mim não só porque trata de um assunto triste e polêmico como suicídio e depressão, mas porque faz com que eu me identifique. Eu não sou uma suicida, e não tenho nenhum diagnóstico de depressão. Mas sei como é se sentir deslocado, como se não houvesse nenhum lugar no mundo a que pertencer. Sei como é sentir que ninguém pode salvá-lo de si mesmo. Desejar ser outra pessoa, mas não poder mudar quem realmente é. Sofrer por tudo e por nada. Se machucar por não ver o mundo como todas as outras pessoas vêem, e chegar a um ponto de que nada mais parece fazer sentido. Entristecer-se porque nenhum de seus amigos e familiares merecem isso; porque você supostamente tem uma vida perfeita, mas sempre falta algo. Ser capaz de sentir apenas tristeza e dor, e nada mais. E sei mais do que tudo como é querer estar morto, mas amar demais a vida para fazer qualquer coisa. E esperar sempre que as coisas melhorem, até que mais alguns de seus sonhos sejam despedaçados. Algumas pessoas são sensíveis demais; sensíveis a tudo. E elas geralmente se escondem por detrás de máscaras: um sorriso brilhante, apatia ou um coração de pedra. Elas não querem ajuda, porque não podem ajudadas. Porque elas se sentem absurdas nessa vida e, mais ou cedo ou mais tarde, serão massacradas pelo mundo. 

Tudo o que você precisa está dentro de você. Você não precisa de ninguém. 

Depois de assistir esse filme, não derramei uma só lágrima. Mas estava chorando por dentro. Dormi com um peso no coração, mas não acho que a experiência tenha sido desagradável. Sentia a dor de Dominik, de Sylwia, a minha... A do mundo inteiro. Quando um filme é capaz de mexer conosco assim, ele não pode ser nada além de excelente.

A soundtrack maravilhosa do filme. 

Você está com medo?

sábado, 21 de junho de 2014

Os melhores covers do Youtube

Primeiramente, gostaria de deixar claro que essa seleção é única e exclusivamente de acordo com meu gosto pessoal e que não há uma ordem certa de preferência, como se fosse um pódio. Eu amo música, e por isso também amo usar o Youtube como principal ferramenta para achar coisas novas e artistas incríveis, que muitas vezes não recebem o devido reconhecimento. É simplesmente incrível ver canções que apreciamos em vozes de outros artistas (às vezes trocando o vocal feminino para o masculino e vice versa, ou simplesmente cantando à sua maneira). O cover jamais será melhor que o original, e o contrário tampouco. As versões são simplesmente diferentes e únicas, e é por isso que não existem melhores ou piores, mas algumas que nos agradam mais que outras. 

Sia - my love


Eu infelizmente não sei qual impressionante artista é dona dessa voz, mas esse cover é um dos meus favoritos. A música My love da Sia já havia sido comentada por mim no blog, e agora aqui está uma versão incrível e um pouco mais intensa do que a original. O vídeo também é lindo: uma junção de imagens do filme A noiva cadáver, mais uma das preciosidades de Tim Burton

Marry me - Train


Marry me é uma música maravilhosa e perfeita para casamentos (por que será?). Extremamente romântica e delicada, a música já me conquistava em sua versão original, pertence ao Train. Mas esse cover tem suas particularidades: uma voz feminina, mais suave e absolutamente adorável.

Tears don't Fall (Bullet For My Valentine) / I hate everything about you (Three Days Grace)



Ambos os vídeos são de Kayleigh Kokkinos e no seu canal podemos encontrar outros igualmente bons. Bullet for My Valentine é uma banda excelente e eu adoro as versões em acústico das músicas, que nos fazem perceber a sensibilidade da canção e das letras. Já Three Days Grace é definitivamente uma das bandas de que eu mais gosto, e essa música principalmente. A voz de Kayleigh é maravilhosa e de tirar o fôlego. Eu particularmente sou apaixonada por vozes roucas como a dela

I can't make you love me - Bonnie Raitt


I can't make you love me é uma música consagrada de Bonnie Raitt e escolhida por muitos para covers. Esse é um dos casos que o cover me agrada mais do que a original. Os dois juntos tem uma sincronia perfeita e a voz da garota é maravilhosa (sem falar na sua afinação e outros aspectos notáveis). A versão ficou ainda mais delicada e romântica e transmite exatamente a dor que a canção pretende passar. 

Asleep - The Smiths


Essa é uma das músicas mais tristes e belas de todos os tempos. A original do The Smiths é incrível e um tanto quanto mais fúnebre e profunda do que a versão que lhes apresento, da Emily Browning. Mas o que me conquistou nessa versão (muito mais que a original) é a delicadeza nela presente. A voz de Emily é leve e nos leva aos mais diversos lugares com uma única fechada de olhos. Até mesmo o arranjo é mais simples e inocente, criando um grande contraste com a letra carregada de tristeza e emoção da música. É uma canção de despedida, mas esse cover me faz pensar que nem tudo é inteiramente amargo como a canção original transmite; às vezes, algumas amarguras são doces demais. 

Love will tear us apart - Joy Division


Love will tear us apart é outra música incrível, original do Joy Division. Nesse caso minha escolha é sem nem pensar duas vezes: o cover definitivamente me conquistou. A música original trata de um assunto bastante triste, mas com um ritmo mais animado, o que definitivamente, para mim, não comportou o que a música pede. A versão de Susanna and the Magical Orchestra não só é incrivelmente bela e intensa, como nos passa emoções tão fortes que chega a arrancar lágrimas. O vocal é impecável (simples, suave, triste como a letra da canção) e o arranjo é fascinante. Esse cover é um dos melhores trabalhos que já vi, porque transforma completamente a canção e dá a ela uma nova feição. Ouvi-lo nos traz emoções totalmente diferentes do que quando ouvimos a canção original, e faz dessa música outras das músicas mais belas e tristes de todos os tempos.

Colorblind (Counting Crows) / That's the truth (Mcfly) / What hurts the most (Rascal Flatts) / Heaven (Bryan Adams)





Hannah Trigwell é uma das melhores no que faz, e seus covers não se comparam ao de outras cantores que, muitas vezes, fazem muito mais sucesso do que ela (mesmo no Youtube). De qualquer forma, não importa. Tenho certeza de que ela está exatamente onde deveria estar, e é dona de uma voz única e um talento inigualável. E para minha alegria, seus covers são, na maioria, de músicas que adoro. No seu canal é possível encontrar versões ótimas e viciantes, como as acima. A primeira música, Colorblind, é de uma banda adorável chamada Counting Crows (que é conhecida principalmente pelas músicas que pertencem à trilha sonora do filme Shrek). Colorblind é uma música triste, parada, um tanto quanto depressiva e com uma letra que poucos são capazes de interpretar (a maioria simplesmente julga como sem sentido). Os sentimentos que a música passam são indescritíveis e serão abordados melhor por mim numa próxima postagem especial sobre Counting Crows. A segunda música é That's the truth, do Mcfly, uma banda cheia de músicas românticas e que grudam na cabeça. A versão de Hannah é mais delicada e simples que a original, e por isso mesmo é capaz de passar muita emoção. Já a terceira é de Rascal Flatts e uma música que é completa (a letra, a sonoridade, o vocal... tudo se encaixa perfeitamente). E por último Heaven, do Bryan Adams, uma música lindíssima e muito romântica. Bryan Adams é dono de algumas das melhores músicas de amor que fizeram e fazem muito sucesso. Eu amo tanto o cover quanto a original; a música nos faz sentir vontade de nos apaixonarmos!

Lie to me (Red) / World so Cold (Three Days Grace) / Perfect (Hedley)




Ophéliane é dona do meu canal preferido do youtube e é uma das vozes mais únicas e incríveis que já ouvi. Sinceramente, não sei por que ela não é conhecida por todos e aclamada pelo seu talento descomunal, que não se compara aos lixos industriais que temos acesso na música nos dias de hoje. Mas ela possui fãs fiéis que sempre a acompanham e torcem por ela, assim como eu, que a ouvem mesmo depois de tantos anos. Seu último vídeo foi há 3 meses e alguns são de até 5 anos atrás. Ela já fez covers de inúmeras músicas muito boas (e que eu adoro). Qualquer música se transforma quando em posse dessa menina impressionante: ganham uma delicadeza imensa e muita carga emocional. Eu quase não tenho palavras para descrever o que ouvi-la significa para mim. E confesso ter sido muito difícil selecionar apenas alguns dos seus covers, quando todos parecem tão bons. Lie to me é uma música do Red (outra banda que merece um post exclusivo) e que ganha uma nova face: uma versão mais sombria e bastante intensa. World so Cold é outra música de Three Days Grace, com uma letra incrível e completamente diferente e nova na voz de Ophéliane. Perfect é uma música do Hedley simplesmente encantadora, que fica ainda mais adorável com essa voz indescritível e delicadíssima.

I can Barely Say (The Fray) 


E por fim a minha favorita, I can Barely Say do The Fray (como explicar o quanto os amo?). A música é linda em ambas as versões (original e cover) e não me canso de ouvi-las. Aliás, a música se encaixa perfeitamente no momento que estou passando, de estar de volta ao seu lar e querer ficar ali. E eu irei querer ficar para sempre...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Marry me Mary



Mary me Mary é outro dorama maravilhoso que encontrei por um acaso enquanto passeava pelo site Dopeka. Devo confessar: meu interesse inicial foi pela foto fofíssima de capa e principalmente o fato do protagonista ter cabelos compridos (não é novidade nenhuma que eu amo caras de cabelo grande!). Depois de ler a sinopse achei que seria uma boa experiência, e realmente foi!

Como podem ser assim tão fofos?

Mary é uma menina pobre que vive com o pai, muito atrapalhado e alegre, atolado em dívidas. Sua mãe faleceu quando era muito pequena e os dois vivem sozinhos, mas seu pai vive fugindo dos cobradores e se metendo em encrencas que a coitada tem que resolver. Ela até mesmo abandonou a faculdade, pois não tinha mais dinheiro para pagar os estudos, e porque tinha que se virar sempre sozinha. Ela tem duas melhores amigas muito malucas e divertidas, e é numa saída com essas amigas que ela acaba atropelando um homem que acabaria mudando completamente sua vida. Mary tenta ajudá-lo, mas ele não teve nenhum ferimento nem parece querer sua ajuda. Com medo de que ele a denuncie, Mary corre desesperadamente atrás dele para que assine um documento afirmando que o atropelamento foi completamente acidental (ela é louca a esse ponto) e acaba chegando a uma casa de shows.

Mu-gyul sendo romântico... Flores para quê? 

O homem que tanto persegue está no palco cantando e tocando guitarra, e por sinal muito bem. É naquele momento que Mary se encanta: não só por sua aparência e seu talento, mas pelo conjunto completo de sua pessoa. Esse rapaz é Kang Mu-gyul, um rockeiro descompromissado e cheio de dilemas. Mais tarde Mary descobre uma bomba: seu pai reencontra um velho amigo de infância muito rico e os dois se lembrar da promessa que fizeram há anos atrás de que seus filhos se casariam. Dessa maneira todas as dívidas da família seriam pagas e Mary teria uma vida de rainha ao lado de Jung-in. Para fugir do casamento arranjado com um completo desconhecido Mary acaba fingindo já estar casada com Kang Mu-gyul, e é então que toda a confusão começa. 

Às vezes parecem duas crianças... E é adorável!

O dorama é cheio de casamentos, um mais confuso que o outro. Mary finge estar casada com Kang Mu-gyul, mas na verdade está prometida a Jung-in e mais a frente os dois chegam até mesmo a se casarem no papel, mesmo contra a vontade dela. Esses casamentos rompem e retornam várias vezes, Mary passeia de uma casa a outra (e de galã a galã também) e nesse meio tempo nós rimos e passamos muita raiva. 
Sobre os personagens: Mary é uma garota encantadora. Desajeitada, mas muito prestativa. Tímida, mas decidida e às vezes até mesmo cabeça dura. Ela é independente, sabe se virar sozinha e no fundo é um pouco solitária. Mesmo com tantos problemas está sempre sorrindo e sendo gentil. Por mais que se sinta coagida a obedecer o pai, ela nega com todas as forças as tentativas dele de controlar sua vida. Inclusive, todo mundo ali parece meter o dedo nas coisas da coitada: o pai, o sogro, o noivo, as amigas... O fato é que mesmo que tenha que seguir os caminhos que lhes são impostos, Mary não é uma comodista e não engole as coisas facilmente. Ela é uma graça: franjinha, cabelo grandão e cacheado, rostinho de criança. Eu simplesmente adoro quando ela fica bêbada!

Mary carinha de bebê e de gatinho abandonado!

E por falar em bebida, Kang Mu-gyul não pode ser deixado de lado. Bonito (e de cabelos compridos), charmoso e músico, leva uma vida desregrada e está a cada dia com uma mulher diferente. Tem problemas com compromissos, mas é muito fiel aos seus amigos e companheiros de banda. A banda dos rapazes é indie e não muito famosa e ele constantemente recebe ofertas para uma carreira solo, mas se recusa a abandoná-los. Ele é mal humorado, vaidoso (principalmente com aquele cabelo) e cabeça dura. Quando está no palco é ainda mais charmoso, e por detrás de toda aquela pose de durão e rockstar existe um rapaz carinhoso e solitário.

Como pode ser tão lindo?

E por fim Jung-in, do outro lado do triângulo amoroso. Filhinho de papai, rico e bem sucedido, é extremamente perfeccionista. Ele é diretor e está produzindo um drama (que por sinal parece nunca ficar pronto). Porém, não tem apoio do pai (que é um peixe grande na indústria do entretenimento), que sempre exige excessivamente do rapaz e, assim como o pai de Mary, gosta de decidir o rumo da vida do filho. Eu adoro uma das cenas em que ele está à mesa, planejando o que dizer e fazer quando Mary chegar, e quando percebe que ela está logo atrás e vendo tudo, fica tão sem graça que cospe o que estava bebendo. Sua expressão é impagável!

Torcer histericamente para os dois ficarem juntos: coisa que eu fiz.

O triângulo amoroso principal é adorável. Mesmo que eu particularmente estivesse torcendo para Kang Mu-gyul, adorava quando Mary estava junto de Jung-in. É realmente triste que ela pudesse escolher apenas um dos dois, já que parecia combinar tanto com ambos. Acredito que o defeito do dorama seja uma certa enrolação em todos os aspectos (na produção do drama de Jung-in, na escolha amorosa de Mary, na descoberta de alguns segredos). Enfim, chegou a um ponto que eu já estava impaciente, louca para Mary jogar tudo para o alto e retomar o controle da sua própria vida, há um segundo de bater nos dois rapazes (por estarem sempre escondendo Mary e não se decidirem logo a respeito dela) e ansiosa para saber o que aconteceria de fato. 

Mais uma das cenas hilárias e muito fofas!

O que sempre me decepciona nos doramas é a falta de contato físico (é preciso esperar muito desenrolar de história para haver um só beijinho, e daqueles mais sem graça), mas consigo compreender. É um contraste muito grande com as séries americanas, brasileiras ou ocidentais, em geral, a que estamos acostumados (onde de cinco em cinco minutos há uma cena de sexo). Mas quem é que não gosta de ver um romance um pouquinho mais intenso? 

Beijo, finalmente!

E para não reclamar muito, Mary me Mary foi um dos únicos doramas que assisti que teve um beijinho um pouco mais emocionante (não só aquela encostada de boca bizarra). Já é uma glória. 
Beijos à parte, o dorama é excelente para rir, distrair-se, ver um pouco de romance e cenas muito fofas e principalmente torcer muito (no meu caso, para ela lascar uma aliança no dedo e fisgar o gato do  Kang Mu-gyul de vez).


Algumas cenas legais (inclusive a do beijo) e uma das músicas muito bacanas que fazem parte da trilha sonora.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O show de Truman



O show de Truman é um filme clássico e me pergunto por que nunca o tinha assistido até hoje. É impossível não ouvir falar sobre ele nas aulas de sociologia e filosofia, na internet e em qualquer crítica de filmes. No entanto, acredito que muita gente seja como eu: sente vontade de ver um filme e confirmar se ele é mesmo tão incrível como todos dizem, mas vive adiando. O fato é que simplesmente saber do que se trata o filme e qual é a mensagem que ele passa não é o suficiente, e vê-lo com os próprios olhos e tirar suas conclusões é uma experiência muito mais completa e incrível. 
E foi essa a experiência que tive quando, por um acaso, resolvi assistir a esse aclamado filme, que faz juz à fama que tem. Ele conta a história de Truman, um homem com uma vida perfeita: um emprego bom, uma esposa linda e gentil, uma casa confortável, vizinhos amigáveis e um melhor amigo companheiro e fiel. Ele vive seus dias com naturalidade: vai ao trabalho, passa um tempo em casa, sai com o amigo, faz coisas que um homem normalmente faria. Mas um dia descobre que todo o mundo ao seu redor não é o que parece ser. Truman participa de um programa de televisão muito famoso chamado "O show de Truman", sem saber, que é transmitido desde o seu nascimento. Seus pais, sua esposa, seus amigos, sua casa, a cidade inteira... Toda a sua vida é uma farsa. As pessoas ao seu redor são atores que apenas seguem um roteiro e se adptam de acordo com as escolhas e atitudes dele. Ele é a única pessoal real ali, e o astro do show. Mas a pergunta que não nos sai da cabeça é a seguinte: Truman realmente tem alguma escolha? Ou apenas a ilusão de livre arbítrio, quando na verdade tudo já é decidido por alguém mais poderoso e uma força maior? 


"Lá fora, a verdade é igual a do mundo que criei para você. As mesmas mentiras. As mesmas decepções."


Truman se cansa desse mundo falso e consegue alcançar a libertação. Acredito que se conhecesse o mundo real, talvez sua escolha tivesse sido diferente. Todos nós queremos liberdade. Queremos mais do que apenas existir: viver de verdade. Mas às vezes, mesmo estando livres de tudo o que poderia nos prender, continuamos simplesmente existindo. Nos prendemos pela nossa própria existência. Sentimos vontade de viajar, de conhecer lugares e pessoas novas, de mudar. Mas o que fazemos? Continuamos ao lado de pessoas que não amamos, em lugares que detestamos, com um trabalho que não nos satisfaz e uma porção de sonhos despedaçados. Sempre há algo que nos prende e nos mantém inertes. Não mudamos por vários motivos: medo, insegurança, comodismo... E por algo que nós nem mesmo sabemos explicar. Estamos presos da mesma maneira.
E como é dito em determinada parte do filme, o mundo doentio e podre não é o completamente controlado que Truman vive, mas o nosso mundo, o mundo real. Se todos nós tivessemos a escolha entre o mundo real e um mundo perfeito que gira todo ao nosso redor, quantas pessoas não escolheriam a segunda opção? Quantas pessoas não prefeririam viver em ilusão, simplesmente para não encarar as decepções da realidade?


"Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes."

O filme nos faz ter inúmeras reflexões, e a maior delas é sobre a nossa liberdade e até que ponto ela vai. De certa forma, todos vivemos presos a algo e, assim como Truman, temos a escolha de nos libertar. Mas isso requer muita força de vontade e sacrifícios; às vezes é preciso abandonar tudo o que pensávamos conhecer e ser o certo, em busca de algo maior. Ninguém consegue viver numa ilusão; se não a conhece, um dia acabará descobrindo a verdade. E se já tem consciência dela, jamais poderá se dizer verdadeiramente satisfeito. Estará sempre faltando algo a mais. 
Acredito que mesmo com todas as decepções e mentiras da realidade, ela sempre será a melhor escolha, se abrirmos os olhos, nos livrarmos de tudo aquilo que nos prende e trilharmos nossos próprios caminhos. Muitos de nós não somos livres de fato. Mas a ilusão de liberdade é aquilo que dá prazer à maioria de nós.
Afinal de contas, podemos ir aonde quisermos, dizer o que acharmos mais conveniente, largar o emprego,a faculdade, o conjugue, jogar tudo para o alto... E começar tudo de novo. Cometer os mesmos erros, obter as mais diferentes reações das pessoas (que também são livres, não atores com falas e ações programadas e mudam assim como nós) e mudar quantas vezes tivermos vontade. As nossas maiores mudanças acontecem por dentro. 
E mesmo que exista uma força maior que o impeça de jogar tudo para o alto e alcançar o seu ideal de liberdade (a família, os amigos, o medo ou até mesmo a própria consciência), essa possibilidade sempre estará lá.
Não podemos mudar todo o mundo. Mas, sempre que sentirmos vontade, podemos mudar o nosso mundo. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Flyleaf



Flyleaf é uma banda dos Estados Unidos que foi formada em 2000 e ainda continua em atividade. Não posso negar duas coisas: o que mais me chama atenção na banda e a maneira com que a conheci. O que a diferencia das demais bandas de rock e que imediatamente conquistou minha admiração é a voz da vocalista, Kristen May, que é fascinante. Ela consegue passear entre as notas com muita naturalidade, tem um lindo tom de voz e grande alcance também, nas músicas mais pesadas e que exigem uma interpretação mais intensa. É claro que ela não é a única na banda, tampouco apaga o talento dos outros integrantes, e as canções, as letras e a banda em geral me agradam. Mas querendo ou não, algum integrante sempre acaba chamando mais nossa atenção e ganhando uma admiração especial, e na maioria das vezes esse integrante acaba sendo o responsável pelo vocal. É inevitável.
Eu adoro o jeito que Kristen canta, seu tipo de voz, sua postura no palco e até mesmo sua aparência sombria e beleza não convencional.

Kristen lindíssima!
 
Quanto à maneira com que conheci a banda, não posso negar que foi única e exclusivamente por causa de Nightmare Before Christmas, meu filme favorito de todos os tempos (e uma das minhas obsessões). Sou apaixonada pelo Tim Burton e seu trabalho em geral, mas Nightmare Before Christmas foi não só aquele responsável por me introduzir no universo de Burton, como por me mostrar um novo estilo de encarar as coisas e de ser também. Não entrarei em detalhes sobre o quanto esse filme e seus personagens representam para mim, pois tudo isso renderia muitas palavras e devem ficar para uma outra postagem. O fato é que algum tempo atrás comprei o cd Nightmare Revisited, que são todas as músicas do filme original, mas regravadas por artistas modernos e consagrados. O cd em si é um achado e fica para outra postagem também, já que conta com tantas bandas incríveis e as músicas... Nem se fala! A faixa 6 do cd, "What's this" foi regravada por ninguém menos que Flyleaf e que me deixou pensando sobre aquela voz misteriosa por dias, até que eu finalmente tomasse coragem e procurasse saber mais sobre a banda. Cá estou eu! 
Aqui vão algumas das minhas músicas preferidas (mesmo que seja tão difícil selecionar apenas algumas delas):

I'm so sick


Eu estou tão doente, infectado com
Onde eu vivo
Deixe-me viver sem isto
Felicidade vazia, egoísmo
Eu estou tão doente


 All around me


Estou vivo
Posso te sentir ao meu redor
Engrossando o ar que respiro
Segurando o que eu estou sentindo
Mostrando sinais desse coração que está curando.

Missing


Aqui embaixo o amor não era pra ser para mim
É tudo vaidade debaixo do Sol
Algo está faltando em mim
Sinto bem fundo dentro em mim


Broken wings


Obrigado por ser um amigo assim pra mim
Oh, eu oro por um amigo para a vida
E eu alguma vez já lhe disse o quanto você significa pra mim?
Oh, você significa tanto pra mim
Eu sempre penso
Como dizer o que sinto
Estou contemplando frases
Eu estou encarando a eternidade
Estou boiando em serenidade
E estou tão perdido por palavras
E estou tão maravilhado
Por favor, não vá ainda
Você pode ficar por um momento, por favor?
Podemos dançar juntos
Podemos dançar para sempre
Debaixo de suas estrelas essa noite
E estou tão maravilhado
Por mil asas quebradas
Mil asas quebradas
Então, feche seus olhos, mas não sonhe profundamente
E por favor me passe algumas memórias
E quando eu caio você está embaixo
Mil corações partidos
Carregado por mil asas partidas
Mil asas quebradas
Mil vozes cantando esta razão

E entendendo porque aconteceu isso

E para finalizar, a música incrível que possibilitou tudo isso (e que pertence à melhor trilha sonora de todas!):


domingo, 15 de junho de 2014

Keraton Hard Colors Insane Pink



Para aqueles que me conhecem não é novidade nenhuma que eu pinto cabelo mais do que troco de roupa! Não consigo ficar muito tempo com um mesma estilo de cabelo e como não ouso no comprimento, ouso nas cores!
Já faz um tempo que venho querendo tingir o cabelo de rosa. Da última vez usei um tom pink da Vitaderm, mas que ficou vermelho! Para que a tinta pegasse tive que fazer algumas luzes e descolorir bastante algumas mechas, e o resultado, mesmo que não esperado, foi ótimo! Em seguida tive que iniciar um tratamento para que o cabelo não ficasse muito maltratado. Faço hidratação pelo menos uma vez por semana, em casa mesmo, e recentemente comecei a usar um creme feito de mandioca que particularmente agradou meu cabelo.
Fiquei alguns meses sem mexer na coloração e deixei que a tinta saísse o máximo possível, por mais sofrido que fosse. Então comprei a tinta Keraton, da coleção Hard Colors, a coloração Isane Pink. Essa coleção possui cores ideais para quem é apaixonado por um cabelo colorido como eu (azul, verde, branco, etc), além de ser de uma marca conhecida e confiável. Mas, infelizmente, essas cores não pegam em cabelos escuros e é necessário descolorir. O tom ideal de cabelo para que as cores peguem e fiquem o mais próximas da cor original é o loiro palha, bem clarinho. No entanto, meu cabelo estava uma bagunça de cores: alguns fios loiros, outros ainda muito vermelhos e a grande maioria laranja. Como não aguentava esperar que a tinta saísse mais e não queria arriscar mais uma descoloração (que por sinal acabaria com meu cabelo), joguei a tinta por cima mesmo! O resultado foi surpreendentemente bom. 
A tinta pegou, mas já era esperado que ficasse mais escura do que o desejado. Não consegui o rosa vivo que tanto queria, mas dei um passo a mais em sua direção. Nas próximas tinturas o cabelo vai adquirindo mais ainda o tom planejado, isso naturalmente, sem precisar machucar o cabelo. A tinta me agradou bastante! Não agride o cabelo, tem uma cor linda, não é uma dessas tintas com preços absurdos. Além disso, meu cabelo adorou a coloração e ficou mais hidratado. Ainda não sei quanto a durabilidade da tinta, mas acredito que não passe de algumas poucas semanas, como a maior parte das tintas coloridas. É completamente natural, e muitas vezes a cor que surge à medida que a original vai desbotando também é bonita!
Num futuro próximo arriscarei outras colorações da Keraton Hard Colors. Por enquanto me contentarei com o pink e aproveitarei antes que mude de ideia e de cabelo de novo!




sábado, 14 de junho de 2014

Mars




Mars é meu mangá favorito de todos os tempos! Eu nunca tinha me encantado e apegado tanto a um mangá antes, a ponto de querer que ele nunca acabasse. Inclusive, os capítulos traduzidos estão incompletos, o que seria algo péssimo para muitos, mas para mim saiu como uma mão na roda! Exatamente porque, sem ler o final de fato, o mangá nunca terá acabado para mim. Mesmo que a minha curiosidade me mate, acho melhor que as coisas sejam assim. Vai entender!
Mars conta a história de Kira, uma menina muito quieta, introvertida, solitária e enigmática. Ela não fala com ninguém, não tem amigos e é bastante misteriosa. Seu ponto forte é o dom que ela tem para o desenho, e é nessa forma de arte que ela expressa sua verdadeira personalidade. Já Rei é um cara lindo, popular e conquistador. Ele tem uma grande paixão por motos e é um tanto quanto irresponsável e inconsequente, sem falar no seu egocentrismo evidente no decorrer das páginas. Tudo começa quando eles se encontram por um acaso e Rei pede ajuda com direções a ela. Kira sempre foi tão quieta e invisível que Rei sequer percebe que os dois estudam juntos. Ela evita ao máximo as pessoas, principalmente as encrenqueiras como Rei. Kira evita falar com ele e por isso desenha um mapa para o rapaz, que só depois percebe o desenho no verso da folha. Rei se encanta por esse desenho e sua sensibilidade e por isso começa a tentar se aproximar daquela menina tão inalcançável. Ela aos poucos vai cedendo às investidas dele, que a vê inicialmente como alguém frágil e a ser protegido, quase como sua irmã mais nova. Mas, assim como a maioria dos casos, a amizade dos dois logo se transforma em algo muito mais grandioso até o ponto que não conseguem mais viver um sem o outro. 

Rei, o bad boy que não é tão bad assim... Esconde tantas coisas por detrás desse sorriso!

Rei é um personagem apaixonante, assim como Kira. Os dois são opostos, mas me parecem o casal mais certo que poderia existir. Rei tem traços delicados, cabelos compridos e loiros, pose de bad boy e muito charme. Mas é ainda mais lindo por dentro. Seu interior está devastado, enegrecido, solitário. Ele já passou por muita dor e decepção e cada pancada que levou da vida permanece ali, disfarçada, mas ainda uma ferida exposta. Ele é muito mais do que aparenta ser e é por isso que envolve cada vez mais as pessoas, fazendo com que sintam-se atraídas por sua personalidade. A cada trauma superado e passo dado adiante, essas feridas começam a cicatrizar. Já Kira é uma menina muito discreta, que não gosta de chamar atenção, vive se escondendo atrás de uma folha de papel. Quando desenha é o único momento em que é completamente sincera, com si mesma e com o mundo ao seu redor. Seus desenhos são intensos e muito sensíveis, capazes de captar um bando de sensações que tocam os outros e fazem de seu talento único. As feridas de Kira parecem cicatrizadas, mas abrem-se sempre que relembram um pouco dos dias de dor. Kira é uma daquelas pessoas silenciosas, mas com mentes barulhentas. Ela só encontra libertação e começa a ser quem realmente é quando encontra alguém com quem contar, depois de tanto tempo solitária. Ela encontra em Rei não só um amor, mas alguém capaz de entender seu sofrimento. Alguém que trilhou por caminhos tortuosos, mas que continua em frente. A certo ponto seus caminhos não só se cruzam, mas levam ao mesmo destino.

 Rei e Kira... Os traços são de dar gosto! Principalmente os olhos, tão expressivos...

O mangá está muito longe de ser mais um desses clichês super previsíveis e um tanto quanto fúteis que estão por aí. Inclusive é mais intenso e bem explorado que muitos livros e filmes que conheço. O enredo é simplesmente maravilhoso e os ganchos na história não são soltos e apelativos, mas todos se relacionam de alguma forma e só tem a acrescentar. É incrível a evolução dos personagens no decorrer da trama e seu crescimento diante a cada acontecimento marcante. Mars é cheio de drama e romance e pode até mesmo levar a lágrimas, por ter capítulos tão delicados e emocionantes. A história perambula por assuntos extremamente tocantes e sérios, como estupro, abandono, rebeldia, suicídio. Cada personagem tem um passado obscuro que influencia diretamente seu jeito de ser presente, e ao mesmo tempo se permitem ir mudando com o contato com pessoas marcantes e reviravoltas. 
Mars mostra que todos têm problemas, alguns mais sérios, outros menos. Mas todos têm o mesmo peso excruciante sobre quem os possui, com a mesma intensidade, e não se pode julgar algo que não se viveu na própria pele. Só nós mesmos conhecemos o peso de nossos problemas e a dimensão de nossas dores. E é preciso enfrentar alguns traumas de frente, ou seremos assombrados por eles eternamente. Superar os traumas às vezes é simplesmente ser exposto a emoções muito fortes, a situações de risco, a terapias de choque. Mas esse não é o único caminho: às vezes, tomando pequenas atitudes a cada dia, conseguimos deixar o passado para trás. De passo em passo retomamos nosso caminho e nos afastamos da escuridão. O amor é um sentimento libertador, mas também pode nos enjaular. E quando percebemos que o sentimento só nos faz mal e nos causa dor, devemos abandoná-lo, por mais difícil que pareça. Às vezes aquilo que nos causa sofrimento vale a pena ser mantido. Mas na maioria das vezes aquilo será apenas mais um empecilho para nossa felicidade. E isso não muda...

Quadro pintado por Kira. Nomeado Mars, o deus da guerra.

Todos nós, bem no fundo, sonhamos em mudar completamente uma pessoa. Em virar seu mundo de cabeça para baixo, salvá-lo e se tornar seu porto seguro. Mas algumas pessoas nunca mudam. 
Me encanta completamente aquele amor que nasce ao avesso. Aquela paixão que surge dos defeitos, não das qualidades. Que nasce na lama, como uma flor de lótus. Porque algumas pessoas podem ter os piores defeitos do mundo, mas valem a pena. Seus defeitos fazem parte de quem elas são, e fazem com que elas sejam ainda mais humanas, mais belas.
Chego a perder a conta da quantidade de coisas que esse mangá me mostrou, mesmo que de forma tão despretensiosa e simples. À primeira vista, toda essa profundidade passaria despercebida. Mas para aqueles que se permitiram não só acompanhar, mas se entregar à história, aos personagens e suas dores... Tiveram uma experiência incrível como eu.