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domingo, 22 de maio de 2016

Alice: Love & Labyrinth [Game]


Alice: Love & Labyrinth é um jogo para celular muito legal, da Koyonplete (os mesmos criadores de Cinderella Rose, que já comentei aqui anteriormente). Assim como Cinderella Rose, ele tem uma jogabilidade simples e agradável: existem três opções de romances; o idioma é em inglês; por dia, grátis, você ganha 100 pontos e gasta 50 em cada cenário (ou seja, pode ver dois cenários por dia); existem respostas corretas pra alcançar o final feliz e em alguns momentos dos capítulos, ganhamos uma imagem especial com cada personagem. A história é curta e simples, são apenas três respostas escolhidas com cada personagem e muitas imagens lindas. 

Qual é o seu preferido?

O jogo, como o próprio nome sugere, tem uma estreita relação com o clássico Alice no país das Maravilhas. Aqui, você é uma garota comum, adolescente, estudante e profundamente entediada com a vida que leva. Não gosta das coisas que faz, nem das pessoas com quem convive, e leva uma vida muito vazia. Até que um dia, assim como Alice, ela acaba sendo transportada para um mundo novo e mágico: o País das Maravilhas.

O Chapeleiro Maluco. Cada um dos rapazes tem uma descrição muito interessante. 



A nossa personagem chega a conhecer a Alice, uma garotinha misteriosa que aparece e desaparece como fumaça, conversa em enigmas e parece ser o motivo dela ter ido até aquela outra dimensão, que no início não parece passar de um sonho. A protagonista é bem recebida no novo mundo, mas descobre que lá existe um sistema rigoroso de vida: todos os moradores possuem uma função, quase como um papel numa peça de teatro, e têm que desempenhar aquela função a qualquer preço, sem questionar. Sem a função, suas vidas perdem o sentido, e esse parece ser o maior medo de todos. E a função que a nossa personagem ganha é a de investigar o assassinato da antiga rainha, e tem em mente três grandes suspeitos: o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco e o Gato de Cheshire



Cada uma das histórias tem um caminho completamente diferente e novo, e é possível conhecer melhor a personalidade de cada um deles. Os três são lindos e desempenham papéis muito diferentes. 





O primeiro escolhido por mim foi o Chapeleiro Maluco, não só pelo personagem clássico em si, mas também pela sua aparência (na minha opinião o mais lindo dos três). O Chapeleiro aqui é extremamente misterioso, fechado e parece odiar com todas as forças a nossa personagem. Aos poucos descobrimos que existe uma razão muito forte para seu comportamento cheio de ódio e que existe um lado dele que ninguém conhece. A mesma capacidade que ele possui para o ódio, possui também para o amor, e ele tem que decidir qual dos dois comandará sua vida, mas para isso acabará tendo que enfrentar todo o sistema que rege o País das Maravilhas. Embora seja um personagem tão promissor, a história com ele foi a que achei mais fraca. O romance é pouquíssimo abordado, tampouco o ódio que ele sente (e amor e ódio são assuntos que rendem as melhores histórias). O relacionamento dos dois me pareceu seco, frio, distante, assim como o próprio personagem do Chapeleiro, que não teve suas singularidades aprofundadas. Até mesmo as imagens com ele são as que menos me agradaram. 

Essa cara de mal...

O Coelho Branco é, de longe, o que eu menos gosto como personagem (tanto física quanto psicologicamente). No entanto, sua história não é ruim. É interessante como é explorado as duas faces dele, seu lado bom e ruim. Diferentemente do que eu imaginava, ele não é simplesmente um cara bonzinho e perfeito, mas tem também seu lado perverso, o que o transforma num personagem mais profundo. Também é interessante como, apesar dessa máscara de bom moço, ele é odiado pela maior parte dos personagens. O Coelho Branco era o braço direito da rainha, um fiel servo, e que mesmo depois de sua morte continua cuidando com carinho de suas rosas vermelhas. A rosa vermelha e a rosa branca têm um papel muito importante nessa história e, embora o romance também tenha sido leve (só ganhando força bem no finalzinho), é uma das melhores histórias.

Essa imagem é uma fofura!

Por fim, a que mais me agradou em todos os aspectos, a com o Gato de Cheshire: tanto a história em si, quanto as imagens, são as minhas preferidas no jogo. O personagem é enigmático, brincalhão, debochado e confuso, assim como o do clássico, mas o Cheshire desse jogo também tem um lado sombrio, solitário e ferido. É praticamente invisível naquele mundo, renegado por todos, e tem muitas dores embora esteja sempre fazendo piadas, e pareça levar a vida tão levemente. É muito bom ver que ele é muito mais do que parece ser. Além disso, eu gosto de personagens mais diretos, que vão atrás do que querem sem rodeios, e o Cheshire é exatamente assim (além de sedutor e ousado, que eu também adoro). No final existe uma reviravolta que me chocou um pouco, mas nada que comprometa a história. Foi a das três que achei mais dramática, além de ter o romance mais desenvolvido e gostoso deles. 

Quando dá vontade de levar aquela pessoa pra casa...

Existem outros personagens muito fofos e legais, embora a uma certa altura você também tenha vontade de socá-los como eu, por sua alienação e falta de sensibilidade. Todos parecem viver em seu próprio universo, e são inalcançáveis. A própria Alice também compartilha dessa característica, além de sua carinha de sonsa, e por isso eu simplesmente não consegui gostar dela em momento algum (embora na história original eu a adore). 

A sonsa da Alice.

Enfim, a história comum, independentemente de quem você escolha como romance, tem uma interessante reviravolta no fim. Também é ótimo ver a mudança e o amadurecimento da personagem principal, que passa de apática a tudo, a uma pessoa que encontra motivos de sobra para viver, e para lutar por sua vida. É curto, simples, mas muito gostoso de jogar. 

Minha imagem preferida do jogo. 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Fabulous - Angela's Sweet Revenge [Game]


Hoje venho fazer uma postagem curtinha sobre um jogo curtinho, mas muito bacana. Já faz tempo que venho jogando Delicious, o joguinho da Emily (pretendo algum dia postar sobre aqui, mas vai dar trabalho, já que são tantos!) e o Fabulous é como uma expansão dele. No entanto, não é a querida Emily a estrela, e sim sua irmã mais nova, Angela

Destaque para o carro de Jimmy ao fundo cheio de pombos! 

Angela é apaixonada por moda e aparece em alguns jogos do Delicious, assim como sua história de amor com o misterioso Jimmy, que é jogador de poker, tem cara de mafioso e é um personagem, no geral, de índole questionável. No entanto, Angela o ama e os dois são felizes. Angela trabalha numa loja de roupas em New York, e é também responsável pelo design de muitas das peças vendidas. Mas, como nem tudo é perfeito, sua chefe Yum-Mee é uma folgada arrogante, que vive se aproveitando da boa vontade e dos talentos de Angela. Tudo se torna ainda pior quando, no aniversário de relacionamento de Angela e Jimmy, ele decide fazer uma surpresa, mas não é tão sonhada viagem para Paris: é um novo teto para o seu próprio carro! Já decepcionada com o egoísmo do marido, como se já não bastasse, ele começa a dar caronas suspeitas para Yum-Mee, e os dois passam a agir de maneira mais suspeita ainda. É então que Angela decide espionar os dois, pegando o celular de Jimmy, e desconfia que eles estejam a traindo. É então que ela arquiteta a melhor vingança de todos os tempos!

Contando aquele babado fortíssimo pras migas.

O jogo é simples, com a jogabilidade muito parecida com a de Delicious. A diferença é que você cuida de uma loja de roupas: tem que atender as clientes, limpar os provadores, cuidar do caixa, encontrar o ratinho na loja para ganhar o bônus, criar designs especiais para a loja. Cada nível possui três estrelas e são apenas 4 níveis, isso porque o jogo era como uma espécie de teste para verificar a aceitação dessa nova série, e acabou fazendo muito sucesso. É bonitinho, divertido e bom para passar o tempo. Nos deixa com um gostinho de quero mais, e é então que surge o Fabulous - Angela's Fashion Fever, do qual falarei em breve. É fácil de se encontrar para download e é inteiramente traduzido para o português. Um dos pontos mais legais do jogo são os extras, que aparecem como postagens de Facebook em cada nível, com as devidas curtidas e comentários. Além disso, a arte é linda!

Minha reação a quase tudo na internet.

domingo, 1 de maio de 2016

Life is strange [Game]


Depois de uma considerável sumida, retorno para falar sobre esse jogo incrível: Life is Strange. É um jogo disponível pra download, legendado em português e de fácil acesso. É relativamente curto: tem um total de cinco episódios. Eu demorei uns dois finais de semana para finalizá-lo, mas acredito que, dependendo do quão viciado você ficar, pode terminar ainda antes. 



Eu me viciei. O jogo também é de escolhas, tem um gráfico muito bacana e uma história que envolve romance, drama e suspense. Pra quem já assistiu ao filme Efeito Borboleta, é uma boa referência. Já dá pra entender do que se trata, não é?

A figura da borboleta também está envolvida, e é peça chave na trama.

A princípio, o jogo não parece passar de um drama adolescente (mesmo que só nos primeiros segundos). Max é uma jovem que retorna depois de anos para a cidade onde cresceu para ingressar numa escola onde um dos melhores cursos de fotografia do país é dado. Para melhorar a situação, é lá que leciona Mark Jefferson, um fotógrafo de grande renome e prestígio. Max passa a viver no dormitório da escola, onde consegue uma bolsa, e tenta se readaptar ao lugar que um dia deixou. Ela não é uma garota popular; é tímida, reservada, inteligente e constantemente tachada pelos colegas de hipster, por seu estilo desleixado e vintage. Ela é completamente apaixonada por fotografia e anda com sua câmera para todos os lados, retratando seu mundo através das lentes. Esse seu talento para a fotografia, o que o Sr Jefferson costuma chamar de dom, faz com que ela se afaste das pessoas, que a veem como distante, inalcançável. No entanto, Max consegue fazer alguns poucos amigos, como Kate e Warren

Linda Max.

A história de fato começa quando, num dia qualquer, estressada pela pressão de Jefferson para entrar num concurso de fotografia, Max acaba presenciando uma tragédia: Nathan, o rapaz mais popular e rico da escola, atira numa garota no banheiro por problemas com drogas e a mata. É aí que Max descobre a estranha e fascinante habilidade de manipular o tempo, e mudar o curso das coisas. Ela é capaz de voltar segundos ou minutos, mas mais tarde descobre que sua conexão com as fotos vai além do seu prazer de fotografar: as fotos permitem que ela volte até mesmo anos no tempo, no momento em que a fotografia foi registrada. Ela então reencontra a melhor amiga com quem não falava há anos, Chloe, e as duas tentam descobrir mais sobre esse dom e investigam o mistério do desaparecimento da estudante Rachel. Mas existe muito mais mistério em Arcadia Bay do que as duas podiam imaginar.

Essa foto é o máximo! 

Dentre todos os personagens que amo, gostaria de abordar três: Kate, Victoria e Nathan. Kate é uma amiga de Max, embora as duas não sejam assim tão próximas, e se afastam ainda mais com os acontecimentos recentes: Kate vai a uma festa do Vortex Club, o clube dos populares da escola, e é drogada. A nerd, religiosa e recatada acaba beijando várias pessoas e é filmada na festa, e esse vídeo cai em seguida na rede, fazendo com que a vida dela vire um verdadeiro inferno. Kate passa a sofrer bullying e não suporta a humilhação, os julgamentos e principalmente a dúvida: Nathan a drogou de fato? E o que ele fez com ela? Toda essa dor leva Kate a um buraco cada vez mais fundo e obscuro, e ninguém a sua volta parece perceber. É preciso que as coisas ganhem proporções trágicas para que todos compreendam, lamentem, mas às vezes é tarde demais. Sem Max, e principalmente sem seus poderes, a história de Kate seria tão trágica quanto a de muitas meninas no mundo real. Meninas que sofrem abusos, meninas que têm sua intimidade exposta, meninas que são alvos constantes de crueldades e humilhações. Esse é um dos meus preferidos aspectos do jogo: o lado obscuro da sociedade, que rejeita e maltrata alguns, até que eles se destruam. A pressão que é ainda mais forte entre os jovens, nas escolas e universidades. A vulnerabilidade das mulheres, que ainda sofrem todo o tipo de violência e não conseguem encontrar ajuda. E o mais interessante é a indiferença das pessoas, que veem claramente o próximo precisando de socorro, afundando-se cada vez mais, e só se preocupam com os próprios problemas. E quando as coisas realmente ficam ruins, insistem que não sabiam de nada. Mas as pessoas só veem o que querem ver, e não é nada fácil ajudar alguém que se encontra no limite. No entanto, um simples abraço e uma palavra amiga são capazes de salvar uma vida. 

A cena de Kate no telhado é uma das mais emocionantes do jogo. 

Victoria e Nathan são personagens parecidos, embora ao mesmo tempo muito diferentes. Ambos ricos, populares, no topo e com vidas aparentemente perfeitas. Não tão perfeitas assim. Victoria, apesar de bonita, rica e talentosa, é absurdamente insegura. Ela se sente melhor humilhando os outros e tem inveja de Max, que consegue reconhecimento naturalmente, enquanto ela tem que se esforçar tanto. Nathan é o herdeiro dos Prescott, que comandam toda a cidade, e cresceu sem nenhum afeto. O pai, de fato, o vê como herdeiro, e não filho. A cobrança em cima dele é gigantesca e ele sente que todas as pessoas ao seu redor o usam; Victoria é sua única amiga. Além disso, ele se envolve com as drogas e perde cada vez mais o controle da própria vida. Um ponto ainda mais obscuro desse personagem são seus problemas psicológicos, identificados por um profissional, mas negados pela família, que sentia vergonha de um filho "louco", e não tratados. Nathan não era apenas cruel, mas doente, e nunca recebeu a ajuda que merecia. Além disso, eles são personagens que ilustram muito bem que não existe essa dualidade entre bem e mal, mas que essas duas naturezas coexistem dentro de cada um de nós. Apesar de serem cruéis, ambos têm também seu lado vulnerável e um resquício de consciência. Não são de todo ruins e, visto de outros ângulos, são não só tiranos, mas também vítimas.

Victoria... Até que eu gosto de você!

Por fim, é obrigatório falar de Chloe, que é a verdadeira protagonista do jogo. Porque é tudo sobre ela, sempre. Não é para menos: Chloe é um ser humano incrível. Ela é mais que uma menina bonita; é mais que uma punk de cabelos azuis; é mais que a garota que perdeu o pai muito jovem, e sofre com os problemas familiares e a relação conturbada com o padrasto; é mais que uma rebelde sem causa. Chloe tem causa. Rachel não é a sua única causa. Mas sua própria vida. Sua vida que pareceu tomar os trilhos errados, sempre, e a infelicidade que sente. Chloe é incapaz de mudar o passado. É incapaz até mesmo de alterar o curso das coisas, o futuro, mas é capaz de mudar a maneira como encara tudo isso. É Max a responsável por ajudá-la a ver vida no mundo à sua volta. Dentro de si mesma. A acreditar em si, que ainda há solução, que ela vale a pena, e muito. Chloe é ousada, divertida, teimosa, tem uma personalidade muito forte. É ao mesmo tempo sentimental, frágil, carinhosa, aquela pessoa que, sendo sua amiga, te faz sentir no topo do mundo. Max se sentia assim, e eu também me senti enquanto jogava. Chloe é muito mais do que parece ser; tem uma história linda, um coração fantástico e é impossível não se afeiçoar pessoalmente à ela. 

Esse olhar é de matar... Socorro

Enfim, o jogo é incrível, emocionante e cheio de reflexões. Você precisa, basicamente, apenas andar e clicar (seja em objetos ou em respostas). Além disso, tem que decifrar alguns enigmas. As partes mais difíceis do jogo são juntar as pistas para o culpado e no episódio final, num dos devaneios de Max. As escolhas são difíceis e têm uma porção de consequências, o que pode te fazer gritar de raiva ou de arrependimento algumas vezes. O suspense é muito bem construído e, no final, a surpresa é de tirar o fôlego. Sai do óbvio, mesmo usando alguns clichês, e o resultado é muito bom. O romance é sutil e não é o foco do jogo, e o drama é tão bem trabalhado que eu poderia ter chorado o jogo inteiro. A escolha final é absurdamente difícil, e tão emocionante quanto. Uma excelente experiência!