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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Doctor Crush [Drama]


Depois de muito tempo, retorno para falar sobre esse dorama (disponível no DramaFever) que foi, sem dúvida alguma, uma experiência única para mim. Comecei a acompanhá-lo logo no lançamento e pude viver a experiência completa: ver a estreia, aguardar ansiosamente episódios novos a cada semana e me envolver completamente com a história. 

 Não se ama com o coração, se ama com o cérebro.

Doctor Crush, como o nome já sugere, tem a temática médica. Assim como o tema suscita, a trama se passa, em sua maioria, num hospital, tendo foco em seus médicos e os conflitos que envolvem a todos. A cada episódio casos diferentes são introduzidos, trazendo mistérios. emoções e reflexões muito importantes sobre diversos temas. A história gira em torno, principalmente, de Hye Jung, a protagonista, que teve um passado conturbado e cheio de tragédias, mas consegue dar a volta por cima e se tornar uma competente médica. Ao começar a trabalhar no novo hospital, em busca de vingança, reencontra personalidades de seu passado, como seu primeiro amor, Ji Hong


A amizade dessas duas é linda!

Dentre todos os casos médicos tratados, o que mais me cativou (e provavelmente a muitos outros fãs) foi a de Hae e Dal, irmãos, que acabam tendo que passar por tratamentos, quase que simultaneamente. O pai se vê numa situação extremamente delicada, já que havia levado um dos filhos ao hospital para verificar uma deficiência na perna e acaba descobrindo que ele precisará de uma cirurgia, pois o problema é mais sério. Como se não fosse o suficiente, descobre por um acaso que o outro filho também está doente e começa a ter dificuldades para manter os dois no hospital, já que cuida das crianças completamente sozinho e passa não possui boas condições financeiras. No ápice do conflito interno que o pai dos meninos vinha enfrentando, é impossível não se emocionar. A cena é forte e extremamente sensível, assim como a maneira com que o tema é abordado.


Só de ver essa foto já me emociono.

Dentre os muitos personagens complexos e interessantes, cito as duas grandes personalidades femininas na trama. Hye Jung, a protagonista, é maravilhosa desde sua primeira aparição. Tem um passado difícil, cheio de dor e abandono, onde ela aprende que a única saída é sempre a violência. Todos os acontecimentos em sua vida parecem levá-la direto ao fundo do poço. Quando passa a viver com a avó, ela encontra uma saída. A relação das duas é linda e tocante. Acompanhamos o crescimento da personagem e, aos poucos, toda a violência ser substituída pelo amor, que ela nunca teve. Amor que faz com que ela decida mudar, mas se pergunte se realmente é possível, já que, por mais que tente, sua vida se resuma à tragédia e ao fracasso. É uma personagem forte, decidida, independente, que foge completamente ao estereótipo de protagonista feminina nos doramas. Seu relacionamento com Ji Hong também foge ao clichê. Ele não só é seu primeiro amor, mas aquele que, junto a avó, foi responsável por mudar completamente sua vida. Ele é uma fonte de inspiração, um exemplo, uma luz no fim do túnel. Cúmplice, faz com que ela cresça e seja o melhor que pode ser até o fim. É uma relação saudável, que só faz bem aos dois: eles compartilham experiências, superam traumas, curam feridas antigas e descobrem juntos não só o amor, mas também a felicidade de se compartilhar a vida com outro.


Por que eu sou sua? Eu sou minha. Ninguém pode me ter.

Seo Woo é tão complexa e cheia de paradoxos quanto Hye Jung. Embora sejam, à primeira vista, mulheres opostas, elas são muito parecidas. Seo Woo é, aparentemente, uma menina mimada e que tem tudo o que quer. Nos primeiros episódios, é quase impossível não odiá-la. É infantil, mesquinha e muito carente. No entanto, assim como Hye Jung, ela amadurece muito no decorrer da história e vai deixando transparecer suas dores e os motivos que a levam a agir de maneira tão infantil na maior parte das vezes. Vítima da cobrança excessiva do pai a vida inteira, ela tem sérios problemas de auto estima e tenta, acima de tudo, corresponder às expectativas dos outros, ignorando os próprios interesses. Tem medo de não ser amada, e por isso age como uma criança implorando por atenção. Nos últimos episódios, ela mostra que todo esse sofrimento a fez crescer provavelmente mais que todos os outros personagens, através do perdão: de Hye Jung, do pai e até de si mesma. 


Um passado não resolvido sempre vai te encontrar novamente.

Várias questões são tratadas no decorrer do dorama, como a relação entre pais e filhos, a necessidade de perdoar e superar o passado, o amadurecimento que vem com as adversidades e o sofrimento, a importância de abrir seu coração e se permitir amar e ser amado. Dentre todas as lições que ele passa, as duas que ficaram mais fortes em mim foram: a vida tem altos e baixos, ninguém é feliz o tempo inteiro e a tristeza faz parte de nosso crescimento como seres humanos; e, a mais importante delas, que é o fato de que ninguém está condenado a nada, todos nós temos a oportunidade de mudar e conquistar o que quisermos, independente de nosso passado e nossas origens. Ninguém está inteiramente perdido e existem sempre segundas chances, e saber perdoar é também saber viver.


Eu nunca fui feliz antes. Então, quando estou feliz agora, tento encontrar problemas.

Por fim, o formato do dorama me agrada muito. Tem a dose certa de humor, romance e drama, além de algumas cenas de ação. Os personagens são bem construídos e não existe nenhum que seja inteiramente bom ou inteiramente ruim, assim como na vida real. Cada um deles tem seus conflitos abordados, mesmo que rapidamente, mostrando que todos, como seres humanos, temos uma história a contar. Os temas são maduros e de extrema importância. Me agrada profundamente a narração dos protagonistas, Hye Jung e Ji Hong, com reflexões acerca da vida e dos acontecimentos, enquanto cenas importantes se passam. As cenas de romance são extremamente fofas e as de beijo também não deixam a desejar. Por fim, a trilha sonora é incrível. 


Minha música preferida!

Foi extremamente difícil assistir o último episódio. Mais  difícil ainda não me emocionar do início ao fim, desde o primeiro episódio. Também gargalhei e roí as unhas em muitos momentos e, desde o princípio, soube que seria difícil me despedir. Agora me resta aquela saudade gostosa sempre que terminamos algo que nos marcou muito. O melhor dorama que assisti em muito tempo, e talvez um dos meus preferidos de todos os tempos.


Eu estou morta por dentro.